Com o Crescimento da Violência, Brasileiros Procuram Formas Melhores de Se Proteger

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A criminalidade, em níveis sufocantes, não escolhe hora ou lugar. Assaltos, furtos e tiroteios entraram na rotina de quase todos os bairros da Capital e da Região Metropolitana. No sentido contrário, o efetivo da Brigada Militar atinge recorde negativo. No segundo semestre de 2015, o contingente chegou ao menor número desde 1982, conforme a própria corporação.

 

Para ajudar o cidadão a se proteger em algumas das situações mais comuns do dia a dia, o Diário Gaúcho foi às ruas da Capital. Com o capitão Gustavo Fávero Prietto dos Santos, do BOE (Batalhão de Operações Especiais), foram elencadas dicas para que o cidadão se torne menos “atraente” aos criminosos em qualquer local com características semelhantes.

Comportamentos que precisam ser pensados e debatidos em família. Até mesmo para que o instinto de reação ou fuga, por exemplo, possa ser controlado e substituído por uma atitude que minimize a chance de ser ferido em um roubo.

— A pessoa precisa saber que, ao ser abordada por um assaltante, a única surpresa é a dela. O criminoso já a observou, a avaliou, a seguiu e escolheu o ponto de ataque. É uma vantagem muito grande. Por isso, nesse momento, o melhor é deixar o bem ser levado e se preocupar em acionar o 190 assim que possível — ensina o capitão Prietto.

O cuidado começa antes de sair de casa, colocando a chance de ser assaltado como uma das variáveis a serem consideradas em todos os deslocamentos necessários durante o dia. O “direito” à distração não existe mais.

— A distração atrai o crime. É preciso atenção em todos os momentos, sempre fazendo uma leitura do ambiente ao redor — orienta o major Mário Augusto Ferreira, que responde interinamente como subcomandante do BOE.

A seguir, confira as dicas:

Na parada de ônibus
Aguardar um ônibus à noite, em qualquer ponto da Região Metropolitana, é tarefa para corajosos. Mas a coragem acaba sendo obrigação para quem não tem opção ao transporte coletivo. E não precisa ser uma parada escura em uma rua deserta.

Um dos casos mais graves de ataque em parada, no dia 22 de dezembro passado, foi em frente a um shopping, na Zona Sul da Capital.

A professora Carla Tentardini Alonso, 37 anos, e a filha de 15 anos esperavam um ônibus depois das compras de Natal. Com sacolas nas mãos, foram abordadas por bandidos pouco antes das 22h. Mesmo sem reagir ao assalto, Carla foi baleada no peito. Levada ao hospital em estado grave, submetida a uma cirurgia, sobreviveu e se recupera.

— Eu estou sempre agarrada na bolsa e olhando de longe quem chega perto. A onda de assalto está muito grande — diz a cuidadora Fátima Silveira Lopes, 46 anos, que esperava ônibus no mesmo local, semana passada.

No meio da multidão
Um local de intensa movimentação de pessoas pode ser uma armadilha. Justamente por essa característica, é atrativo para os chamados crimes patrimoniais: furtos e roubos de bolsas, carteiras e celulares, sem contar as tentativas de golpes.

Um exemplo é o Centro. Um local em que o pedestre precisa ser discreto. Tudo o que chama atenção das pessoas chamará ainda mais do ladrão.

— O ideal é evitar roupas ou adereços, como joias ou tênis com uma cor muito chamativa — observa o capitão Prietto.

Para se proteger em um tiroteio
O ano passado terminou com um número alarmante na Região Metropolitana. Levantamento do Diário Gaúcho revelou que 13 pessoas foram mortas por balas perdidas: sete crianças e adolescentes. Em 2014, sete pessoas haviam morrido dessa forma, nenhuma delas era menor de 18 anos.

A Vila Cruzeiro é um dos pontos mais conflagrados da Capital, com constantes disputas entre facções criminosas. No ano passado, uma dessas disputas terminou em tumulto dentro do Postão, quando um dos supostos líderes do tráfico na área foi executado. No meio disso, a comunidade foi pega de surpresa.

— A curiosidade, muitas vezes, é uma inimiga. O instinto é ver o que está acontecendo. Isso não pode acontecer — alerta o capitão Prietto.

Em roubo de veículos
Levantamento do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em outubro passado, apresenta Porto Alegre como a capital líder no ranking do roubo de veículos no país. Em 2014, foram 6.938 roubos, índice de 833,8 casos para cada 100 mil carros, quase o dobro da média nacional de 476,4.

A conclusão é de que a cada 2min30s, um carro foi roubado ou furtado nas 27 capitais brasileiras em 2014. Ataques que também terminam em morte. Na semana passada, no Bairro Jardim Ypu, Zona Leste de Porto Alegre, Isabel Cristina Grandini Dias, de 47 anos, foi assassinada com um único disparo, que a atingiu na testa. Tentativa de roubo a veículo é a principal hipótese para o crime.

Logo após dar partida no carro, foi surpreendida por um Corolla prata. Dois homens desceram com arma apontada para a motorista. A suspeita é que ela não tenha conseguido tirar o cinto de segurança.

Em parques e praças

Parques, praças e áreas verdes representam perigo por oferecerem esconderijos, principalmente à noite. Mesmo bem iluminados, como o Parque Farroupilha (Redenção) e o Parque Marinha do Brasil, por exemplo, persistem pontos de sombra, sobretudo sob as árvores. Nesses locais, o atrativo é consumir drogas e poder realizar, ali perto, roubos que sustentem o vício.

— O foco desse criminosos são os objetos de uso pessoal, nada de grande valor. Para ele, o relógio, o tênis já serve — explica o capitão Gustavo Fávero Prietto dos Santos.

Em áreas assim é preciso se movimentar olhando para todos os lados. Essa postura atenta, diz o capitão, manda um recado para quem estiver observando: essa vítima é difícil de ser surpreendida.